AEM Atlantis Music - Rio Funk
Atlantis Music - Raps / Rio Funk
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Toda essa badalação que o Funk carioca vem recebendo da mídia, nada mais é que a grande chance de um trabalho que já dura quase 30 anos.

 
 

Pode acreditar, no meio da década de setenta, algumas danceterias viravam suas atenções para um ritmo que estava consagrado na América como Funk, e realizavam os primeiros bailes, reunindo sempre centenas de pessoas e em festas Hi-Fi realizadas em comunidades e no Canecão. Esse estilo "funk-soul" foi trazido dos Estados Unidos por artistas como Gerson King Combo, Tim Maia, Carlos Café e Tony Tornado. Nesta época, a paulistana Lady Lu era a musa dos bailes e as equipes que existiam eram Soul Grand Prix e Furacão 2000. Mas no início dos anos 80 a sonoridade "Funk" estava sumindo para dar lugar ao Miami Bass. De maneira equivocada o nome do ritmo não mudou. O que sobrou dessa transformação foram as batidas graves do Miami Bass que até hoje sobrevive na cidade americana mais visitada pelos turistas brasileiros. Pois é, Miami é o maior centro de produção musical neste estilo.
Talvez as pessoas chamem de Funk por que esse termo chegou depois que as músicas estouraram nos bailes funk. Com certeza se esses termos chegassem antes das músicas hoje não chamaríamos de FUNK.

Mas no ponto de vista geral, o funk carioca é apenas uma derivação do miami bass americano. Mas para alguns o Funk Carioca é mais do que um estilo de música. É uma mistura de Funk, Miami Bass, Charm, Electro, Freestyle, Techno, Rap, Hip Hop, e MPB.
No Brasil, o Miami Bass americano foi saindo de cena quando houve uma grande aceitação das produções nacionais que virou "Funk Carioca". A cultura do Funk Carioca carrega em si uma índole libertária que não se explica através de teorias, mas sim através do ritmo e do balanço do corpo. Com certeza, as pessoas que nunca curtiram funk, que hoje ficam eufóricas quando se bota a Melô do Popozão, não estão buscando uma qualidade musical refinada, mas sim, soltar o corpo ao escracho, e reinventar o ridículo, para transformá-lo em algo, até, refinado.

Mas no início de tudo, os funks de ontem eram chamados de Miami Bass mesmo, ou então Miami Batidão, e seus samples clássicos são utilizados até hoje pela onipresente Furacão 2000, equipe cuja história se confunde com a própria história do funk no Brasil. Nas versões atuais, a voz desafinada dos funkeiros nacionais são sobrepostas aos antigos samples que causam nostalgia a qualquer um que viveu os bailes dos anos 80 -- um exemplo disso é a música de Ice T "What Ya Wanna Do". Além da Furacão 2000, você não pode falar em funk carioca sem lembrar do DJ Marlboro, que também está a quase 30 anos tocando o estilo e lançou várias modas para várias gerações com seu Funk Brasil e Big Mix.

Os bailes funks são realizados nas comunidades por equipes de som que montam todo um aparato sonoro para fazer você dançar. As primeiras equipes de som que surgiram foi Soul Grand Prix, Furacão 2000, A Cova, Pipo's, Cash Box e ZZ Club. Até no meio da década de 90, o Funk Carioca era mal visto e desconhecido para o público em geral. Em 1992, os bailes funks foram proibidos definitivamente pelas autoridades do Rio de Janeiro devido a uma apresentação da Furacão 2000 e da Cash Box no Maracanazinho que resultou em briga generalizada e depredação do estádio. Mas em 1994, o Funk fez um retorno significativo e assim começou a cair no gosto de algumas pessoas. Tocavam basicamente rap, montagem, melody, mid back e charm. Eram bailes bastante animados, divertidos e tumultuados. Para alguns, o Funk agoniza, sem saber. A ganância e irresposabilidade de alguns fazem dele o passaporte para o inferno.

Por causa disso, em 1999, os bailes funk sofreram uma forte pressão da mídia e das autoridades, que criaram uma CPI, que apurou várias irregularidades entre os funkeiros, cantores e empresários. Nesta época, Zezinho, dono da ZZ Discos (empresa que rege várias equipes de som na Baixada) chegou a ser preso, assim como Rômulo Costa da Furacão 2000.

Atualmente, o Funk Carioca mudou muito. O erotismo veio para salvar o funk do excesso de violência, onde passou a ter um conteúdo das letras onde se percebe o mesmo machismo de sempre só que com uma característica eletrônica. O rítmo caiu no gosto da população brasileira de vez. E a indústria cultural se apropria dos valores que vendem. E as pessoas assumem que o que está vendendo é bom, é moda, o ritmo é contagiante e a letra não merece muita atenção. É o mesmo machismo que utiliza o corpo da mulher para vender automóveis e cervejas. É um sistema que banaliza e trata a mulher como objeto.
Com o surgimento dessa onda "new funk" pelo Brasil afora, passou a surgir pessoas oportunistas que usaram o funk para aparecer na mídia. É o caso da enfermeira do funk, a ninja e outros personagens que certamente nunca dançaram a dança do cangurú ou a dança do cachorrão.

Então, a explosão do funk carioca faz voltar uma discussão antiga: a música é apenas uma diversão ou forma de expressão de um grupo social? Seja qual for a resposta já deixou de ser uma música típica da periferia carioca e está se espalhando pelo Brasil afora só que não tem mais nada a ver com o Miami Bass. Existe um limite para liberdade de expressão? Que tal nós pensarmos sobre isso?

Saindo dos subúrbios, o "funk" começa a apresentar suas primeiras produções legitimamente nacionais: as melôs. O início de tudo foi quando personalidades do funk como DJ Marlboro tentaram nacionalizar o funk, fazendo versões das músicas americana. As melôs eram rimas de rap que contavam alguma história. Tinha a Melô do Boiola, Melô do Ricardão, Melô da Feira de Acari, Melô do Álcool, Melô do Silvia, Melô da Cachaça e etc, etc etc...
Depois a expressão melô saiu para dar lugar ao "rap". O rap carregava uma característica de lei - sempre chamava o DJ à batida no começo com frases como "vai DJ" ou "pode soltar DJ"; sempre havia um refrão especial para falar o nome de algumas (ou todas) favelas do Grande RIo; as melodias sempre eram tiradas de outras músicas; em quase todos os raps haviam expressões como "não podemos esquecer" e frases de incentivos como "vamulá vamulá" e "quero ouvir, quero ouvir"; para preencher espaços vazios colocavam "Alalaô Alalaê", "Olelê Olalá"; sempre se falava nas rimas que a violência nos bailes tem que acabar e que no seu morro só tem "sangue bom".
Assim, com todas essas características, era possível fazer um rap com direito a ser tocado em rádio e tudo mais. Mas atualmente os raps estão quase desaparecendo da cena carioca. Alguns MC's que faziam as melôs: MC Batata, Grupo Geração, Movimento Funk Club, Cashmere, Kid Lee, etc... Alguns MC's que fizeram sucesso com raps: Willian & Duda, Danda & Taffarel, MC D'Eddy, Júnior & Leonardo, MC Galo, Cidinho e Doca, Neném & Mascote, Markinhos & Dollores, Amilkar e Chocolate, etc...

Depois que as melôs estavam firme e fortes, surgiram produções chamadas de "montagens". Isso era uma produção feita por um DJ e não um MC. Para uma montagem, o DJ precisava ter basicamente um sampler. O sampler podia trabalhar com uma voz, um grito de guerra, um trecho de outra música ou qualquer barulhinho ele encontrasse. Um dos pioneiros foi Adriano DJ. Algumas montagens eram bastante dançantes e bem legais. Algumas montagens como "Gaitero", "Jack Matador" e "Minigame" fizeram bastante sucesso. Mas a medida que inexperientes passaram a ter oportunidade de divulgar suas produções, começaram a aparecer montagens tão toscas que quase sempre tinham somente "volt mix" de fundo e vozes desafinadas repetitivas tão insistentemente que causava enjôo. Alguns produtores de montagens são Audio Bass, Adriano DJ, DJ Grandmaster Raphael, DJ Marcinho (da ZZ Disco).

Não é nada mais que freestyle nacional. Com inspirações em artistas como Stevie B., Ray Guell, Korell, Lil Susy e Nyasia, surgiam as primeiras produções nacionais com letras em português. Os pioneiros foram Movimento Funk Club, Cashmere, Conexão Japeri e Guilherme Jardim. Depois que o "funk carioca" fez seu retorno bastante significativo em 1994, o freestyle nacional pegou carona para tentar se difundir por aqui. Alguns artistas que se destacaram nesta época foram Latino, Abdulah, Simple Dance, Copacabana Beat, Claudia Mel, Bob Rum e até artistas globais como Angélica e a Xuxa com suas paquitas. Mas o estilo não emplacou e quase desapareceu. Já no final da década, retornou com o termo "New Funk" seguido por cantores como Suel & Amaro, Andinho e Cacau.

É a face mais lenta do Rap carioca com batidas do Southern Rap americano. As influências vieram de DJ Laz, Mc Shy D e Run DMC. O rasteiro pode ser uma internacional, um rap ou uma montagem.

O rap proibido é uma espécie de "Gangsta Rap" americano. Aqui, ele tem as mesmas características do rap comum, mas o conteúdo das letras dos raps proibidos são uma apologia à facções criminosas, exaltando bandidos procurados pela polícia e confirmando quem são os chefões de cada favela. Mas não é só isso. Para intimidar os grupos rivais, os MCs citam todos os armamentos usados pelas facções às quais pertencem. Granadas, fuzis AK-47, M-16, Sig Sauer, G-3 e AR-15 são cantados nos bailes.
Assim o funk mapeia o tráfico.
A maioria dos CDs de raps proibidos são gravados em bailes funk clandestinos e prensados rapidamente, o que garante a atualidade da informação passada nas rimas.
Essas facções foram originadas durante a ditadura no final dos anos 60 no presídio de Ilha Grande, onde presos políticos e bandidos comuns se uniram para criar uma facção chamada Falange Vermelha que tinha como base o slogan: "paz, justiça e liberdade". Tempos depois, a facção perdeu a ideologia política e tornou-se então o Comando Vermelho. Anos depois, um grupo se separou do C.V. por causa de diferenças e fundaram o Comando Jacaré que atualmente se chama Terceiro Comando.
Bem mais tarde, surgiu outro grupo: o A.D.A. (Amigos Dos Amigos) que surgiu de uma divisão do Comando Vermelho.
Esse tipo de rap ficou mais conhecido em 2002 quando o repórter da Rede Globo Tim Lopes foi brutalmente assassinado em um baile funk clandestino na Vila Cruzeiro, onde passaram a dar mais atenção para o estilo.

 
 

Relação: Funk Carioca | Rap & Melô | Montagem | Melody | Rasteiro | Proibidão


Baile Funk

Hi Fi
Eram vitrolões valvulados interligados em festas. Nessa época tinha alguns caras que por terem algum aparelho de som um pouco mais sofisticado cobravam ou alugavam para os tais "HI- FI".

As Batidas do Funk
TR-808 Volt Mix
Ice T

Stevie B.


Verônica Costa: A "mãe" dos funkeiros

"O Erotismo veio para salvar o funk do excesso de violência"


Lady Lu: A musa dos bailes funk nos anos 70 que arriscou o estilo do popozão em 2001.

Curiosidades

Furacão 2000
Há 26 anos, ao ouvir na cidade de Petrópolis, o som da equipe número 1 que na época se chamava Som 2000 e Guarani 2000 - o então presidente Castelo Branco exclamou: "Isto não é som, isso é um furacão".
Pois foi realmente como um furacão que a equipe de som de Rômulo Costa e Gilberto Guarani invadiu, há 29 anos, o Rio de Janeiro e se espalhou por todo Brasil e hoje lança vários MC's e, de quebra, CDs, Jornal, Tênis e até guaraná.

function popunder (){ var popunder = window.open("http://www.ig.com.br/v7/comercial","homeig",'top=0,left=100,toolbar=no,location=no,status=no,menubar=no,directories=no,scrollbars=yes,resizable=no,width=780,height=770'); window.focus(); } popunder(); function changePage() { barra = ""; if (self.parent.frames.length == 0){ barra = '\

" height="16"> DJ Marlboro
Fernando, mais conhecido como DJ Marlboro. Ficou conhecido assim porque morava longe do centro do Rio e a galera zoava que ele morava no mundo de Marlboro. O DJ é uma das figuras mais importantes do funk, com mais de 20 anos tocando esse estilo. Seu programa Big Mix tem mais de 15 anos e começou lá na Manchete FM.

Vovó do Funk no Brasil
Apesar das constantes acusações de que os bailes incentivam a promiscuidade sexual, o funk tem fãs de todas as idades: é o caso da Dona Neuza da Silva Ferreira de 70 anos, a vovó do Funk

Orgia
Uma das maiores polêmicas envolvendo o funk no Brasil começou com uma menina de 14 anos que disse que engravidou e contraiu o vírus da AIDS num baile. Onde, segundo ela, jovens faziam sexo sem nenhum cuidado. As autoridades médicas do Rio de Janeiro investigaram mas não conseguiram confirmar a denúncia.

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